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  • Biblioteca Escolar - Escola Secundária de Vila Real de Santo António
  • segunda-feira, junho 30, 2008

    BORGES POR KODAMA - EM LISBOA



    María Kodama, companheira de uma longa vida de Jorge Luis Borges (escritor argentino, nasceu em Buenos Aires em 1899 e morreu em Genebra em 1986), veio a Lisboa a convite da Fundação José Saramago. A palestra decorreu no auditório da Biblioteca Nacional (e com muito atraso fazemos referência, por isso mil desculpas) no dia 21 de Junho passado, sendo José Saramago o condutor da conversa, mostrando uma boa recuperação física e um grande sentido de humor.

    Borges foi o eterno candidato ao Nobel da Literatura, mas nunca o consegiu receber. Facto considerado de grande injustiça pela comunidade literária. De saber enciclopédico, a sua obra é composta pela poesia, prosa, ensaios, crítica lietrária, com especial destaque para os labirinticos contos. Mas "ele sempre se sentiu poeta" e "preferia ser recordado como poeta e não como contista" (Público, 21 Junho, 2008)

    Foi da poesia que ele partiu mas um acidente com uma janela deixou-o muito doente (septicemia). Quando recuperou e com medo de ter perdido as suas capacidades para escrever poesia começa a escrever contos. Anos mais tarde perde a visão e regressa à poesia porque era mais fácil decorar o texto por causa da rima, já que não o podia passar a texto imediatamente.

    A obra deste autor encontra-se amplamente traduzida e editada em Portugal, com destaque para as obras completas, das edições Teorema.

    sábado, junho 28, 2008

    Em 2009 Ricardo Reis no site da Biblioteca Nacional


    Em 2009 a BN irá disponiblilizar na internet a obra poética de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, tal como já o fez com a de Alberto Caeiro. Este ano a BN pretende colocar on line obras de outros poetas como Cesário Verde e Antero de Quental e, em 2009, a de Camilo Pessanha. Segundo Jorge Couto, director desta Biblioteca, «não basta inventariar e microfilmar os 27 185 papéis do espólio. A partir de qualquer ponto do globo pode fazer-se uma pesquisa. Um simples curioso, se quiser, também observa a caligrafia de Pessoa.»

    quinta-feira, junho 26, 2008

    Príncipe de Astúrias das Letras 2008


    O prémio Príncipe de Astúrias das Letras 2008 foi atribuído a Margaret Atwood, escritora canadiana, professora de Literatura Inglesa, que nos oferece nos seus romances «uma visão do mundo e da sociedade contemporânea, revelando uma extraordinária sensibilidade na sua abundante produção.»

    Bibliografia portuguesa de Margaret Atwood:

    A Mulher Comestível, (colecção Dois Mundos), Livros do Brasil
    A Impostora, (colecção Dois Mundos), Livros do Brasil
    Crónica de uma Serva (colecção Nébula), Europa-América
    Olho de Gato ( colecção XX), Europa-América
    Criminosa ou Inocente? (colecção Dois Mundos), Livros do Brasil
    O Assassino Cego, Livros do Brasil
    Órix e Crex - O Último Homem, Edições Asa

    terça-feira, junho 24, 2008

    Bookcrossing





    Bookcrossing é a prática de deixar um livro num local público (jardim, meios de transporte, etc.) para ser encontrado e lido por outros que continuarão esta corrente. O objectivo do bookcrossing é transformar o mundo numa biblioteca. O conceito surgiu nos Estados Unidos em 2001 e passou para Portugal em 2005. Trata-se de um clube de livros global que atravessa o tempo e o espaço, cujos membros não se importam de se libertar dos livros para que eles possam ser encontrados e partilhados. Para mais informações: www.bookcrossing-portugal.com

    segunda-feira, junho 23, 2008

    PRÉMIO CONTO - APE

    O escritor angolano ONDJAKI foi galardoado com o Grande Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco", referente ao ano de 2007.

    O livro Os da Minha Rua tem um cariz autobiográfico em que o autor faz uma viagem à sua infância. Em entrevista ao Jornal de Letras (ver na nossa Biblioteca) diz-nos dessa revisitação: "Não quero reencontrar o tempo perdido, apenas quero celebrá-lo, intimamente, ou através do que vai virando literatura. Regressar à infância é também estar com uma gente que não existe, incluindo nós mesmos".

    sábado, junho 21, 2008

    Tasha Tudor



    Tasha Tudor, famosa ilustradora americana, morreu quarta-feira, dia 19. Nasceu em Bóston e morava agora em Marlboro, Vermont. Era também muito conhecida por viver como se estivesse no século XIX, vestindo-se como as mulheres dessa época. Sabia tocar saltério e disparar armas de fogo, mas também se dedicava aos bordados e à tecelagem. Criou uma indústria caseira vendendo, para além de cartões de Natal, aniversário, valentines e calendários, aventais, bonecas e colchas. Deixou 80 títulos entre as obras por ela ilustradas ou da sua autoria Publicou o primeiro livro Pumpkin Moonshine em 1938 e ilustrou entre muitos outros O Jardim Secreto e Mulherzinhas. Tinha 92 anos.

    Biblioteca da Escola Primária de Wentworth, Reino Unido

    quarta-feira, junho 18, 2008

    Já Ninguém Morre de Amor


    Já Ninguém Morre de Amor é uma história de homens, todos da mesma família, os Palma Lobo, que morrem de amor ou melhor, por causa do amor. Homens estranhos, todos eles de várias mulheres que os enganam ou vencem. Domingos Amaral, autor de Enquanto Salazar Dormia escreveu mais um livro, simples mas maravilhoso, que li em dois dias, num instante.

    domingo, junho 15, 2008

    DA HUMANIDADE DO CÃO

    "Gostaria de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas [Ensaio sobre a Cegueira]. É uma dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do caõ que bebeu as lágrimas da mulher", ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas."
    José Saramago, em entrevista ao Público de hoje.
    A imagem do início pertence à peça de teatro Ensaio sobre a Cegueira que o grupo de teatro O Bando encenou. Tive o privilégio de em 2004, na Culturgest, assistir à representação. A transposição cénica foi soberba. Uma das melhores peças de teatro que já vi. O filme, parece, chega no Outono. Saramago aprovou a adaptação de Fernando Meirelles, com um pequeno reparo ao cão, é pequeno. Esperamos para ver.
    Entretanto recomendamos a leitura do livro. É só ir à nossa Biblioteca.

    JUNHO TAMBÉM É VIEIRA DA SILVA

    Maria Helena Vieira da Silva, 13 de Junho, 1908, Lisboa - 6 de Março, 1992, Paris.
    A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva fica na Praça das Amoreiras, Lisboa; conta com uma exposição permanente dos dois artistas.


    Duas Bibliotecas, das muitas que pintou. Labirintos que nunca se perdem. Fios que nos conduzem para um mundo de possibilidades. Quase infinitas.

    sábado, junho 14, 2008

    Poesia de Fernando Pessoa para Todos


    José António Gomes e António Modesto coligiram os poucos poemas que Fernando Pessoa escreveu para crianças e publicaram-nos na Colecção Oficina dos Sonhos da Porto Editora.

    sexta-feira, junho 13, 2008

    Aniversário - Álvaro de Campos

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
    Eu era feliz e ninguém estava morto.
    Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
    E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
    Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
    De ser inteligente para entre a família,
    E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
    Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
    Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

    Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
    O que fui de coração e parentesco.
    O que fui de serões de meia-província,
    O que fui de amarem-me e eu ser menino,
    O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
    A que distância!...
    (Nem o acho...)
    O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

    O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
    Pondo grelado nas paredes...
    O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
    O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
    É terem morrido todos,
    É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
    Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
    Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
    Por uma viagem metafísica e carnal,
    Com uma dualidade de eu para mim...
    Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

    Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
    A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
    com mais copos,
    O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
    As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

    Pára, meu coração!
    Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
    Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
    Hoje já não faço anos.
    Duro.
    Somam-se-me dias.
    Serei velho quando o for.
    Mais nada.
    Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

    O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

    ÁLVARO DE CAMPOS


    Sim, sou eu , eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

    Espécie de acessório ou sobresselente próprio,

    Arredores irregulares da minha emoção sincera,

    Sou eu daqui em mim, sou eu.


    Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.

    Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.

    Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.


    (...)


    De haver em mim do que eu.


    Sou eu mesmo, a charada sincopada

    Que ninguém da roda decifrar nos serões de província.


    Sou eu mesmo, que remédio!...


    in Poesias, Álvaro de Campos

    E NO INÍCIO... ERAM MUITOS



    13 de Junho, 1888, Lisboa-30 de Novembro, 1935, Lisboa.

    A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar. Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida.

    Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortónimo uma polémica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irónicos.


    Podemos encontrar na internet muitos sítios sobre o mundo pessoano. Esta informação foi retirado daqui: http://www.astormentas.com/

    quinta-feira, junho 12, 2008

    LIVROS VERDES


    A TRISTEZA CRIADORA


    Mia Couto tem novo livro, o 23º! Venenos de Deus Remédios do Diabo.


    DN, 11.06.2008

    PRÉMIO ROMANCE E NOVELA - APE


    Filomena Marona Beja ganhou o prémio APE de Romance e Novela (correspondente a 2007) com o romance A Cova do Lagarto. Nele retrata a biografia de Duarte Pacheco, as grandes construções, o Estado Novo.

    terça-feira, junho 10, 2008

    O Livro Perdido de Camões



    A professora Ana Luísa publicou o seu terceiro livro para Chá das Cinco, uma das marcas da editora Saida de Emergência.

    O Livro Perdido de Camões

    Um romance espiritual sobre as aventuras do mais famoso poeta português.

    Homem sofrido, guerreiro arrojado, poeta imortal. Luís de Camões não se limitou a cantar a alma portuguesa. Foi mais longe, e viveu-a. O Livro Perdido de Camões é a história dessa vida. Preso entre o que gostaria de ter feito, o que lhe foi possível fazer e o que os outros dele esperavam, Camões viveu entre dúvida e desejo, perda e desencanto,
    cumplicidade e amor, num agreste destino do qual foi inteiramente lúcido.

    “Não foram as penas, o destrato dos homens, a indiferença das mulheres, os desencontros, a prisão, a morte dos amigos, a ingratidão da pátria, a falta de mãe que me envelheceram. O que me tornou velho foi ter deixado de sonhar. Desisti. E decidi morrer. Pérola embaciada no fio da minha história.”

    domingo, junho 08, 2008

    XO- Computador verde para meninos verdes



    Criado por Yver Béhar para o projecto One Laptop Per Child (OLPC) é robusto ergonómico e de óptimo design. O laptop 100 dólares tem como principal objectivo mudar o mundo. O projecto OLPC foi criado para dotar as crianças de países em desenvolvimento de uma ferramenta que lhes permita «aprenderem a aprender». Através do XO as crianças têm acesso a novos canais de aprendizagem e, no futuro, serão capazes de encontrar soluções para os seus vários problemas como a pobreza a fome e a doença. Verde por fora e por dentro, é resistente à poeira e aos líquidos, pois nos países em desenvolvimento as aulas têm muitas vezes lugar ao ar livre, e tem um baixo consumo de energia (é possível carregá-lo com a mão ou com energia solar.

    Por tudo isto, o Design Museum de Londres outorgou-lhe o prémio de «Design do Ano».

    Se em 2007 governos e filantropos encomendaram 600 mil unidades, a segunda geração deste computador, o XOXO, terá certamente um sucesso ainda maior. O objectivo é reduzir o seu custo para 75 dólares (menos de 50 euros) e o consumo de energia para metade. Uma alegria verde para muitos meninos esquecidos do nosso planeta.

    sexta-feira, junho 06, 2008

    FESTA - A TRAVESSIA DOS SONHOS

    As turmas A e B do 12º ano vão organizar uma festa cultural. Saramago, Camões, Pessoa, dança, música e surpresas faze parte do programa "A travessia dos sonhos".
    Os alunos convidam toda a comunidade escolar para no dia 9 de Junho, pelas 21h, no Centro Cultural António Aleixo, participarem e partilharem desse sonho criador.

    quinta-feira, junho 05, 2008

    NOVIDADES

    Já nas bancas.

    PRÉMIO POESIA APE

    Ana Luísa Amaral ganhou o prémio de poesia da APE com o livro Entre dois rios e outras noites.
    Ver mais informações aqui.

    segunda-feira, junho 02, 2008

    Dia da Criança


    LIBERDADE


    Ai que prazer não cumprir um dever.
    Ter um livro para ler e não o fazer!
    Ler é maçada,estudar é nada.
    O sol doira sem literatura.

    O rio corre bem ou mal,sem edição original.
    E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
    como tem tempo, não tem pressa...

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto melhor é quando há bruma.
    Esperar por D. Sebastião,
    Quer venha ou não!


    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    E mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças,
    Nem consta que tivesse biblioteca...

    Fernando Pessoa

    domingo, junho 01, 2008

    PARA AS CRIANÇAS

    A CRIANÇA E A LUA

    A lua e a criança jogam
    um jogo que ninguém vê;
    sem olhar vêem-se, falam
    uma língua de pura mudez.
    O que dizem, ou ocultam,
    a contar um, dois, três,
    ou três, dois, um
    para voltar a contar?
    Quem ficou dentro do espelho,
    lua, para tudo ver?
    A criança está feliz e só:
    a lua roça os seus pés como a neve na madrugada,

    como o azul do amanhecer;
    nas duas faces do mundo
    - a que ouve, e a que vê -
    cindiu-se o silêncio,
    a luz cintila no outro lado
    das mãos, que seguem a procurar quem sabe o quê
    no instante de ninguém
    que passa onde jamais foi.

    A criança existe e joga
    um jogo que ninguém vê.

    Mariano Brull (1891-1956, Cuba)